quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Referência em Recuperação

Embora mais de longe, ainda tenho acompanhado o que é divulgado pelos meios de comunicação sobre acessibilidade em geral e sobre o CRR (Centro de Referência em Recuperação) daqui de Campinas-SP.

Alguns meses atrás registrei uma ocorrência no serviço de atendimento da Prefeitura Municipal, onde relatei experiências vividas no âmbito do CRR. Acompanhei o andamento da ocorrência até quando o assunto foi encaminhado à Secretaria competente, mas confesso que não retornei ao local para conferir os resultados obtidos.

Hoje, ao consultar registros do CRR no site da Prefeitura Municipal, surpreendi-me ao encontrar um vídeo de pouco menos de 15 minutos sobre os trabalhos que são realizados pelo CRR, seu pessoal – por sinal muito competente na sua área – e usuários do Centro.

Se você se interessa pelo assunto, vale a pena dar uma olhadinha. Aí vai o link:

http://www.youtube.com/watch?v=HposgphKHyc&feature=player_embedded

Parabéns aos envolvidos pelo belo trabalho!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dominar o mundo?

Hoje passou na tv a cabo o filme ”Controle Absoluto” (Eagle eye – Dream Works Pictures – co-produzido por Steven Spielberg em 2008 e dirigido por Daniel John Caruso – D.J.Caruso.) Numa das falas, a máquina diz: “- Estamos em toda parte...

Por associação de idéias, lembrei-me de “1984”, livro escrito por George Orwell em 1948. No livro, Orwell imagina uma sociedade futurista com controle centralizado, na qual o “Big brother is watching you” (O grande irmão está te observando).

Outra associação de idéias me levou à ”Revolução dos Bichos” (Animal Farm – George Orwell, 1945), em que o mesmo Orwell relata a história de uma revolução de bichos contra os humanos, liderada por um porco...

Em 1938, Orson Welles provocou uma confusão muito grande quando divulgou pela rádio CBS, em tom alarmista, a informação que a Terra estava sendo invadida por seres de outro planeta. Tratava-se de um dia das bruxas e Welles resolveu dramatizar, durante seu programa de rádio, uma adaptação da história de ficção científica “A Guerra dos Mundos” (The War of the Worlds, 1898, de Herbert George Wells).

Ainda sobre alarmismo, lembro-me que certo dia na minha infância, os meninos da minha rua ficaram preocupados com a notícia, saída não sei de onde, de que “O mundo vai acabar amanhã!”. Que coisa, hein! E ainda estamos aqui!

Lembro-me também do filme “Inimigo Meu” (Enemy Mine – EUA, 1985 – direção de Wolfgang Petersen). Aqui a história é sobre uma guerra futurista onde o vencedor dominaria os planetas Terra e Dracon.

E alguém se lembra da série em que dois camundongos de laboratório têm uma vida noturna mais animada do que suas labutas rotineiras pelas tardes e manhãs, e onde o objetivo está implícito diretamente no diálogo, também rotineiro: “- Cérebro, o que faremos amanhã à noite?” e a resposta é sempre: “- A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pinky... Tentar conquistar o mundo!” (Pinky and the Brain, criação americana de Tom Ruegger e Steven Spielberg, exibida de 1995 a 1998).

E “O Grande Ditador”? (The Great Dictator – EUA, 1940, Direção e Roteiro de Charles Chaplin, que também interpreta duas personagens).

Poderia ficar citando aqui muitos outros exemplos de livros, filmes, histórias veladas, rituais secretos ou não e outras formas de exploração da informação, conhecimento e poder, em que tem sempre uma ou várias personagens pretendendo dominar o(s) mundo(s). Por quê esse desejo?

Na atualidade tenho visto também uma preocupação muito grande com a tal de “Nova Ordem Mundial”, muito citada entre os governantes; com os Iluminatis e suas conspirações; com os Papas Negros (Papa Negro é como é chamado o dirigente máximo da Companhia de Jesus – a ordem jesuíta, primeiro numa alusão à influência que exerce na sociedade (Papa) e depois numa alusão à cor de sua batina preta, em contrapartida à do Papa, que é branca); com o ano de 2012 e o final dos tempos, com o calendário maia, com o martinismo, com a maçonaria, etc, etc, etc...

Antes as sociedades ditas secretas segregavam as informações, talvez numa tentativa de proteger o conhecimento dos incautos, ou daqueles que poderiam fazer mau uso das informações. Mas hoje as informações circulam de forma indiscriminada pela internet. E pessoas – quaisquer pessoas – podem acessá-las indistintamente, e inclusive dar a interpretação que quiserem. (Ver o post anterior “Ler e entender”). Muitos nem sabem do que estão tratando, muito menos do poder que vem anexo à informação.

Vi diversos vídeos pela internet que foram produzidos por pessoas ditas inteligentes, mas que não tratam com responsabilidade assuntos muito controversos, e o que fazem mesmo é colocar os incautos em pânico e lançar dúvidas sobre suas crenças já intimamente consolidadas, abalando-as.

Então fico pensando: Como pode o alguém querer dominar o mundo se ele não consegue nem dominar-se a si mesmo? Não consegue controlar nem a sua célula familiar, nem a sua comunidade, quanto mais o mundo!

Cabe às lideranças formais prepararem seus correligionários para que façam melhor uso do conhecimento. Para evitar, na expressão figurada de Jesus Cristo, “lançar pérolas aos porcos” (Mateus, 7,6).

Curioso é saber que, após muita – mas muita mesmo – pesquisa, meditação e leitura, eu descobri que continuo sem saber – e muito menos entender – nada de nada! Como Sócrates: Só sei que nada sei!

Então recito aqui o meu credo permanente: Creio Senhor, mas aumentai minha fé.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mal Necessário?

Dureza esse negócio de trocar de carro!

Quando não se tem tempo ou vocação para vender carros, então não se pode reclamar de ter que se submeter a um ”comerciante de veículos de confiança” – se é que existe algum!!!

Estranhamente, só nós é que não sabemos o valor do nosso carro. É como se atribuíssemos a ele um valor maior porque agregamos o coeficiente emocional. No entanto, se o negócio é uma necessidade, o que se há de fazer? Afinal, o automóvel é um objeto de consumo que precisa ser renovado periodicamente.

Lembro-me que certa vez fui a uma “feirinha” de automóveis que acontecia aos domingos perto de casa. Fui todo cheio de culpa por não oferecer um carro em melhor estado do que aquele que eu precisava vender. E chegando lá vi tantos carros piores do que o meu que até tive dúvidas se os seus donos iriam conseguir vender aquilo para alguém... Será que alguém compraria aquelas latas-velhas?

Cheio de cuidados, perguntei a um dos vendedores:

- Será que você vai encontrar alguém pra comprar o seu carro?

Ele me olhou com curiosidade e determinação, decretando:

- Tem comprador pra todo tipo de carro!

E ele tinha razão. Conseguiu vender um Corcel caindo aos pedaços e eu não consegui vender meu Fusquinha bonitinho...

Neste mês decidi trocar de carro. Obtive informações que não são do meu dia-a-dia. Tabela Fipe, mercado, anúncios na internet e tudo o mais. Tinha comprado meu carro por 43. Na época era o preço, um pouco acima, “devido ao bom estado de conservação”, segundo informou o vendedor. Nesse entretempo teve variações no mercado, mudanças nos modelos de veículos, uso do carro com o respectivo aumento da quilometragem, crise mundial, redução do IPI e tudo o mais. Consequências? Meu carro ficou valendo só 27. E pra comerciante aceitar em negócios, só 24. Onde isso iria parar?

Fui à busca. Perdi muito tempo, gastei muita gasolina, fiz viagens de inspeção e nada de achar o carro que eu queria...

Por fim encontrei um. Fiz propostas, fiz birra e tudo mais, reclamei de taxas, tarifas, briguei, com os números – que nunca batem - mas não adiantou nada: Acabei comprando assim mesmo! Afinal meu carro estava sub valorizado pelos diversos fatores já citados e o que eu encontrei e consegui comprar está um pouco mais caro, “devido ao bom estado de conservação”, segundo informou o vendedor...! Vejam só! Algumas coisas não mudaram!

Agora sossego mais alguns anos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um passeio pela mata e o aquário do meu neto.

Fiquei alguns dias sem passear pelo Parque Linear do Ribeirão das Pedras.

Ontem retomei o percurso e fui de casa até a rodovia D. Pedro. Notei que aqueles trechos que relatei anteriormente como passíveis de erosão já estão com esse processo bem adiantado, tornando perigoso o trânsito de pedestres e bicicletas.

Algumas árvores não resistiram e caíram, inclusive obstruindo parcialmente o caminho. Há buracos enormes que podem provocar mais deslizamentos. Tudo isso sem contar a falta de manutenção da trilha, que está sendo retomada pela mata.

Hoje, ao limpar o pequeno aquário do meu neto, resolvi trazer para os peixinhos um pouco da água da nascente do ribeirão. Resolvi também trazer uma plantinha parecida com agrião, que dá em brejos, e colocar um raminho no aquário.

Foi uma aventura e tanto o ato de procurar o tal raminho numa margem acessível do pequeno córrego. Fui de bicicleta até aquele lago artificial já relatado em outras intervenções e quase fiquei por lá mesmo, já que afundava um pouco a cada pedalada e depois a cada passo tentando voltar... Confesso que fiquei com um certo receio de cair no brejo.

Mas os peixinhos agradeceram.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O velho e o mar

Outro dia li ‘O velho e o mar’, escrito por Ernest Hemingway em 1952.

O livro relata o dia-a-dia do velho pescador Santiago e seu fiel companheiro, o garoto Manolin.

Certa feita, Santiago saiu sozinho para sua pescaria, levando consigo sua grande experiência em navegação marítima e a determinação de um vencedor. Naquela pescaria encontrou um adversário à altura, um peixe espadarte, que lutou por sua vida com a honestidade do guerreiro, já velha conhecida de Santiago.

O velho sobreviveu com dificuldades e, aos farrapos, teve que utilizar toda sua experiência em lidar com adversidades para conduzir o barco novamente à sua praia, vários dias depois, quando todos já davam por finalizada a carreira de velho pescador.

Na sua luta pelo peixe, enfrentou tubarões, golfinhos e toda sorte de adversidades, mas foi paciente e perseverante, para conseguir manter a posse do peixe e depois manter sua própria vida.

Durante as lutas e o retorno, tubarões abocanharam toda a carne do espadarte e só sobrou mesmo parte de seu esqueleto, como que um troféu comprovando sua aventura.

Muito bom notar a vontade de lutar pela sobrevivência, a garra, a honestidade e o respeito pelo adversário nessa luta entre o velho e o espadarte. Ali Santiago percebeu o quanto foram boas as experiências adquiridas nas investidas anteriores, ainda que antes não tivesse encontrado um peixe assim tão grande; percebeu também a falta do companheiro Manolin; reconheceu que poderia ter treinado melhor a outra mão, mas que agora não adiantava reclamar; reconheceu que faltaram ferramentas que teriam sido úteis na luta pelo peixe e pela vida. Reconheceu suas limitações, quando por vezes achou que estava perdendo a peleja. Por fim, foi salvo pelo conhecimento das correntes marítimas e dos costumes dos peixes.

Santiago foi salvo pelo conhecimento.

sábado, 30 de outubro de 2010

Eleições, finalmente

Hoje é o último dia antes do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.
E amanhã mesmo já saberemos quem será o novo ou a nova Presidente.

Outro dia comentei sobre uma eventual terceira via ou uma possível composição que liquidasse o tema logo no primeiro turno, barateando assim o processo eleitoral. Só que a coisa não aconteceu assim e o que se deu foi um fenômeno interessante: Três candidatos se destacaram (um luxo, segundo Jacques Wagner, governador reeleito da Bahia), mas a regra só permite a participação dos dois primeiros num eventual segundo turno.

Daí a disputa pelos eleitores do terceiro colocado se torna o principal foco dos dois primeiros. Dessa forma, cada um desses dois se declara “o mais parecido” com o terceiro e o apoio formal do vencido é sempre aguardado com muita expectativa. Só que isso também não ocorreu. Além disso, cada voto representa a vontade de um eleitor e por isso não é possível redirecioná-lo para este ou aquele candidato. Se fosse assim, não precisaria segundo turno, bastando apenas a declaração formal do terceiro colocado para que os seus votos fossem automaticamente transferidos para o apoiado declarado. E neste caso a eleição estaria exclusivamente nas mãos do terceiro colocado, que decidiria o que fazer com a totalidade dos votos que recebeu. E dessa forma, ele poderia sozinho eleger o segundo colocado, transformando o primeiro em terceiro... É muita filosofia...

E é claro que nem dá pra imaginar a lista enorme de consequências advindas dessa “simples” decisão.

-“ Só transfiro meus votos mediante essa ou aquela condição...”

Nesta semana tivemos a votação que poderia definir o destino da lei da “ficha limpa”. Assisti com interesse à sessão do plenário do STF sobre o caso do Jader Barbalho, candidato eleito ao Senado pelo Pará. A decisão seria importante porque, além de decidir o futuro do candidato em questão, criaria jurisprudência para outras decisões análogas país afora.

Só que o plenário está temporariamente com apenas dez magistrados investidos, tendo uma vaga a ser preenchida através de nomeação pelo Presidente da República.

E o resultado foi empate, cinco votos contra, cinco a favor. O Presidente do STF abriu mão de utilizar seu direito de “Voto de Minerva”, mas o plenário concordou em manter a decisão já tomada anteriormente pelo TSE, de barrar a candidatura do Senador. E isso valerá então para os casos semelhantes que forem julgados daqui pra frente.

Parece complicado isso, não é?

Citei isso para comentar como é difícil o processo decisório num colegiado, especialmente quando o número de seus pares é par, e, além disso, todos com um perfil muito forte de liderança, com opiniões muito bem fundamentadas e melhor ainda explicitadas... e ainda mais quando se tem por parâmetros legislação elaborada pelo congresso, cuja redação admite tantas interpretações quantos forem os advogados contratados...

Fiquei então imaginando se amanhã, perante as urnas, cada eleitor tivesse que justificar seu voto (votei neste por aquele motivo ou não votei naquele porque é muito feio...), com direito a réplicas e tréplicas...

Mas ainda bem que não é assim. Na hora do voto, eu só registro minha intenção.
E se der tudo errado, conversamos depois.

Democracia é assim.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ribeirão das Pedras - II

Fiz antes um registro sobre o Ribeirão das Pedras, que nasce perto de casa. Houve uma descontinuação no relato e por isso trago novidades. Continuo acompanhando o curso inicial do riacho e verifiquei o seguinte: aquela primeira ponte-que-não-era-ponte, citada no relato anterior, foi reformada. Houve uma grande movimentação de terra para adaptação do terreno à nova configuração do conjunto, mas o buraco que sobrou ainda é enorme. Antes de atravessar por baixo da rua, o riacho ainda não encontrou o caminho redesenhado pelo homem e insiste em não aceitar a mudança. Mas a água chega ao outro lado, passando ainda não vi por onde... À esquerda, logo após a tal ponte, a Sanasa havia construído uma estação elevatória de esgoto, que, mesmo estando bem pertinho, não faz parte do complexo.

Estamos na entrada da primavera. Ontem foi 21 de setembro – dia da árvore - e recebemos na praça da nascente do nosso riacho a visita de prefeitos e secretários de cidades da região. Eles fizeram o lançamento simbólico de uma campanha para o plantio de novas árvores para recomposição da mata ciliar no Ribeirão das Pedras. Na verdade trata-se de um projeto maior, que, através de um convênio entre a Petrobras-Replan (Refinaria de Paulínia), o Shopping D. Pedro e algumas prefeituras, prevê a recomposição das matas ciliares dos conjuntos hidrográficos que banham Campinas, Piracicaba, Jundiaí e mais algumas cidades da região.

Estiveram presentes alunos de duas escolas de Campinas para efetuar o plantio simbólico das árvores. Curiosamente, uma das escolas é o Colégio Rio Branco. No relato anterior, citei que nem todas as propriedades respeitavam o limite imposto pelo riacho para eventuais movimentos laterais. Essa escola é uma dessas propriedades: pelo que observei, seus muros já avançam sobre o riacho, no bairro de Barão Geraldo.

O evento foi registrado pela reportagem da Prefeitura de Campinas e pode ser consultado através do link:

http://www.campinas.sp.gov.br/noticias-integra.php?id=3387

Tenho acompanhado também, através de passeios de bicicleta com o meu neto, o trecho do riacho que segue até a região do Shopping D. Pedro. No relato anterior citei um incidente com um lago artificial; foram executados alguns serviços para sua recuperação. Confesso que não entendi muito a movimentação de terra e nem o resultado obtido. O serviço foi executado durante uma longa estiagem e a impressão inicial era que o objetivo era formar uma ou duas ilhas no lago. As máquinas foram retiradas e o serviço entregue (ou teria sido abandonado?).

Ontem, após uma estiagem de mais de 50 dias, choveu copiosamente no início da noite. As árvores recém plantadas na manhã pelas crianças, já tiveram sua primeira prova de resistência. Uma delas sucumbiu (mas já foi reerguida). O lago reformulado, optou por uma configuração natural mesmo: parece não ter gostado do serviço executado.

Hoje, em passeio de inspeção com o meu neto, verifiquei que a chuvarada limpou toda a região da mata que sofreu com queimadas durante a estiagem, provocou a continuação de diversas erosões já anteriormente iniciadas e mostrou como quer que fique o lago artificial: houve muita movimentação de terra e o assoreamento recomeçou. Vamos ver no que vai dar isso. Bom mesmo foi notar algumas garças margeando a região do lago, bem como muitos sapos saltitantes festejando a chegada da primavera.