quarta-feira, 15 de junho de 2011

Campinas e as oposições

Hoje está sendo votado – decisão sai daqui a alguns minutos – o afastamento temporário do prefeito da cidade de Campinas – Dr. Hélio de Oliveira Santos, por indícios de corrupção em gestão de sua responsabilidade.

Dr. Hélio, do PDT, cumpre seu segundo mandato, tendo sido reeleito com 70% de votos em primeiro turno. Os motivos de tamanha votação podem ter sido vários, inclusive a falta de outros candidatos que representassem melhor os anseios da população.

Pedidos de afastamento como o que está sendo discutido hoje precisam ter base legal para efeito do “Em cumprimento à lei municipal número tal, de tal data...”.

O que ocorre é que muitos municípios têm legislação específica para afastamentos dessa espécie – para facilitar as investigações em casos de suspeita de improbidade administrativa, prevaricação ou outros crimes dessa ordem, cometidos por executivo público – no caso o prefeito municipal.

Mas em Campinas não há essa lei. O que não significa que o munícipe tenha que concordar com todos os atos do seu representante. E é claro que também não impede o legislativo de colocar em pauta projeto de lei que inclua o afastamento temporário para os casos de suspeita de desordens na gestão pública que justifiquem o pedido; para o primeiro caso, o povo cerceia os malfeitores nas urnas, na próxima eleição; já para o segundo, a casa legislativa – no caso a Câmara Municipal – vota projeto de lei, que, sendo aprovado e não sendo vetado pelo executivo, também passa a valer, mas só para os próximos mandatários...

E acaba de sair decisão do plenário da Câmara: 16 votos pelo afastamento temporário, 15 contra. Numa casa de 33 vereadores, seriam necessários pelo menos 22 votos pelo afastamento. E 2 vereadores não estavam presentes.

Duas curiosidades: antes do início da sessão que decidiu pela manutenção do prefeito no seu cargo, informações divulgadas pela imprensa davam conta de que haveria unanimidade no posicionamento dos vereadores pelo afastamento do prefeito. Na hora do voto, não foi bem assim... A outra curiosidade é que nos últimos meses temos observado certa incompetência jurídica na administração tanto do executivo quanto do legislativo campineiros.

Por exemplo, inúmeros projetos de edificação urbana foram aprovados (alguns tiveram as obras suspensas, outros não) com base em legislação atual do município, mas que foi considerada inconstitucional à luz da hierarquia das leis. São erros que geram custos altíssimos, que – no fim – alguém tem que pagar.

Para o prefeito, fica aí uma vitória com sabor de derrota – ainda mais se forem comprovadas suspeitas de irregularidades na sua gestão. Politicamente, o que aconteceu foi um terremoto que chacoalhou a cidade, e cujos caquinhos terão que ser juntados novamente pelo prefeito e sua base (se é que sobrou alguma base...)

E esse movimento todo foi o melhor que a oposição conseguiu até o momento. O que apareceu não foi novidade: falta de articulação, falta de compromisso, falta de representatividade.

Ainda bem que na democracia tem as urnas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Campinas - Articulação e Oposição

Todo dia temos alguma surpresa na administração pública: são políticos sendo acusados de abocanhar parte dos salários da suas equipes; outros de corrupção ativa ou passiva; são secretários de governo que coordenam contratos públicos visando interesses não muito públicos; são projetos sendo aprovados sem atender exigências legais e depois sem ter nenhum acompanhamento; são propinagens para isso e mais aquilo; é a realização de licitações marcadas; é a promulgação de leis com vícios de hierarquia; são obras autorizadas com contrapartidas não executadas e tantas outras coisas mais que poderia passar um tempão relatando aqui...

Segundo consta, isso acontece há tempos e não só na nossa cidade: vai também Brasil afora.

Ao que parece, Campinas vem seguindo um modelo de gestão que muitos executivos públicos adotam em todos os escalões, tanto politicamente quanto administrativamente. Coisas que vão muito além do toma-lá-dá-cá partidário.

E, seguindo também modelos de outros escalões, políticos de oposição não estariam exercendo oposição nenhuma, facilitando a vida da situação e permitindo a incidência de irregularidades, sem que ocorra nenhuma fiscalização. Punição aos responsáveis, então, nem pensar.

Só depois que o Ministério Público tomou a iniciativa – semana passada - de levar à frente investigações de irregularidades na administração da cidade, daí sim a tímida oposição saiu protocolando aqui e ali um pedido de investigação e até de impeachment, ainda demonstrando surpresa e completa desarticulação. Talvez pensando em convencer seus eleitores baseando-se na velha máxima do “antes tarde do que nunca...”, para salvar seus bonés...

Quando situação e oposição exercem de fato suas atribuições, representando seus eleitores e não os seus próprios interesses, então as chances de ocorrer um governo política e administrativamente melhor se ampliam muito mais, fortalecendo a democracia.

Tomara que – em se comprovando alguma irregularidade – os responsáveis sejam punidos exemplarmente, nas formas da lei e das urnas.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Prof Kulay e o Mundo da Lua

Nos idos de 1970, meu amigo Paçoca cometeu um pequeno erro no cálculo da abertura de um ângulo. Claro que o erro foi notado pelo Prof. Kulay, que não teve dúvida: descontou na nota e ainda explicou:

- Meu filho, aqui embaixo, a diferença realmente é pequena, mas se você projetar isso para o infinito, não vai ter como medir essa diferença...

Pela mesma época, numa das oficinas que tinha no porão do colégio, eu projetei um foguete interplanetário movido a pressão atmosférica! E é claro que fui submeter o grande projeto à apreciação do Prof. Kulay:

- Será que vai funcionar? – perguntei.

- A pressão atmosférica é muito pequena até para o foguete sair do chão - disse ele com voz grave e sua piteira fumarenta - e, depois, como é que ele vai se mover quando sair da atmosfera?

É claro que os meus projetos de ir pra lua ficaram por ali mesmo...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cheques? Pra quê?

Hoje o Banco Central está divulgando novos regulamentos para cheques.

Estão tentando ressuscitar o morto! Ou então dar uma sobrevida para praquele instrumento – o cheque - que já está com os dois pés na cova!

Alguém se lembra da cara do tal de cheque?

Vejam para que serve o cheque, segundo os costumes atuais:

.Para conseguir empréstimos a módicos 12% am, mediante a troca de um montão de cheques-pré-datados por um pouquinho de dinheiro...

.Para pagamentos parcelados de produtos e serviços...

.Para cobrança de taxas pelos bancos para emissão dos talonários, para liquidação dos cheques, pela devolução, pela custódia dos pré-datados, para antecipação de recebíveis por instituição de crédito... (mediante taxas de serviços mais uns jurinhos, certo?)

Alguém viu aqui em cima “serve TAMBÉM para pagamento à vista”??

Eu me lembro da definição de cheque: É uma ordem de pagamento À VISTA.

Ou seja: pela lei, não existem cheques-pré-datados, cheques–garantia, cheques-caução...

Nos tempos do cheque, quem passava um tinha que ter fundos SIM! Hoje parece que não precisa mais!

Para crédito e geração de recursos existem outros instrumentos, como notas promissórias, duplicatas, etc.

Para pagamentos à vista, o melhor é promover o aperfeiçoamento dos meios eletrônicos, se for preciso mudando até as leis.

Epa, as leis! É claro que devem ser respeitadas, pois nada mais refletem que a vontade e os costumes de um povo.

Se eu fosse banqueiro gostaria que o cheque continuasse...

domingo, 17 de abril de 2011

Se arrependimento matasse...

Naqueles dias eu acompanhava um parente que passava por um período de recuperação pós-operatória. Foi quando encontrei Dona Giselda, uma senhora idosa que esbanjava alegria. Se ela não tivesse falado, eu nem teria notado que era amputada de um dos pés.

O curioso do registro é que ela mantinha certa mágoa com um filho. Afinal, “- Foi ele que autorizou” a equipe médica a promover a cirurgia reparadora que resultou na remoção da região atingida por uma trombose de recuperação impossível. Para ela, o filho é que era o culpado por ela estar hoje sem um dos pés...

Com jeitinho, expliquei a ela que a decisão que o filho tomara foi dolorida demais para ele. Com certeza, se ele tivesse outra opção, não teria autorizado a cirurgia. Ainda mais por ser o tipo de decisão que envolve diretamente a vida de outra pessoa.

Curiosamente, ela continuava fumando, mesmo após a amputação...

Numa outra ocasião eu discutia com o mesmo parente acima citado a respeito de nossas decisões no dia-a-dia. Por exemplo: se eu posso escolher entre ajudar alguém ou não ajudar, por quê não ajudar? Se posso escolher entre abandonar um mau hábito ou continuar com ele, por quê então continuar com ele?

Quando avaliamos a amplitude de cada decisão que tomamos, então fica mais fácil decidir. Se cada vez que escolhemos fumar um cigarro, beber uma cachaça ou ajudar um necessitado olhássemos lá na frente para ver as consequências resultantes desses atos, será então que manteríamos as mesmas escolhas?

Depoimento do meu parente:

“- Se arrependimento matasse...”

quinta-feira, 24 de março de 2011

Tragédias no Japão

Se alguém ainda duvida da capacidade de reação do povo japonês diante de adversidades, então é bom ver o exemplo citado nessa reportagem (copie e cole no seu browser)

http://extra.globo.com/noticias/mundo/japao-reconstroi-em-seis-dias-estrada-que-terremoto-destruiu-1393792.html

Vivêssemos nós experiência semelhante aqui nas nossas capitanias e seria bem possível que nesses mesmos seis dias não tivéssemos decidido nem pela colocação de uns cones para desviar o trânsito...

Dias atrás eu pensava sobre qual seria a melhor ajuda a ser dirigida para aquela região. Pensei na distância que nos separa de lá, na logística para fazer a ajuda chegar lá, no que as vítimas estariam de fato precisando e na própria e surpreendente capacidade de gestão da crise demonstrada pelas lideranças japonesas. Eles têm até previsão orçamentária para utilização nos eventos de catástrofes ambientais.

Sabem o que eu concluí?

Nós é que precisamos de ajuda!

Para eles nós podemos rezar para que consigam vencer seus medos, que continuem enxergando seus objetivos, que não fiquem sofrendo com auto-comiseração e que tenham disposição para continuar trabalhando na recuperação do seu país.

Para nós, o exemplo de sua determinação!

E que Deus nos ajude, dando-nos o frio de acordo com o nosso cobertor!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cubo Mágico 3x3x3 - Montagem

Acabo de elaborar um manual de montagem do cubo mágico 3x3x3.

Estou utilizando o SCRIBD e tentando pela primeira vez abrir um arquivo transferido para um servidor remoto. Vamos ver se deu certo?

Utilize o manual e veja se você também é capaz de montar o cubinho. Copie e cole o link abaixo direto no seu navegador.
Então aí vai:

http://www.scribd.com/doc/49749928/Montagem-Cubo-magico-3x3x3

Experimente e comente se quiser.