terça-feira, 2 de novembro de 2021

Martelo no dedo...

 No último texto que publiquei (Meu Anjo trabalhou dobrado) eu falei da queda de uma calha condutora na minha cabeça – da qual, ironicamente, sobrevivi sem nenhuma dor ou sequela. Mas pois é: hoje vou tratar de uma outra queda.

No fim do período de execução do mesmo serviço, aconteceu um outro acidente, mas antes, só para contextualizar, a calha que caiu e bateu na minha cabeça, caiu de 8m de altura...

No fim da tarde, recolhendo as ferramentas, deixei cair acidentalmente um martelo quando o colocava numa das latas que utilizo pra guardá-lo. A queda não passou de 20cm de altura, mas foi fatal: o tal do martelo foi parar bem no meu dedão, cuja unha está encravada...

Precisa relatar o tamanho da dor? Com um pouco mais de cuidado eu teria visto a cor daquela dor...

domingo, 24 de outubro de 2021

Meu anjo trabalhou dobrado....

 

Por esses dias resolvi fazer um pequeno conserto no reboco externo da minha casa.

Para isso comprei alguns materiais e fui visitar o sótão, a fim de ‘arregimentar’ algumas ferramentas que deveria utilizar. Para prevenir batidas da minha cabeça dura em alguma viga das tesouras que sustentam o telhado, recorri a um capacete que uso nas pedaladas eventuais com a minha bicicleta. Parece que não, mas o certo é que quando estou com o capacete nunca bato em nada, mas basta não estar com ele que minha cabeça volta com resquícios de alguma batida...

Desci e comecei a preparar a execução do serviço. Precisava desencaixar uma parte da calha coletora de águas de chuva. Então comecei por aí. Durante o esforço inicial, percebi que a dificuldade não seria tão grande e não me preocupei com uma coisa óbvia: no esforço para desencaixar a parte que interessava, consegui desencaixar também a curva principal do coletor, que ficava na parte mais alta da calha. E a danada nem avisou: quando vi, ela já estava no chão, ao meu lado, mas não sem antes ter batido diretamente na minha cabeça! Tratava-se de um pedaço curvo de cano de zinco com mais ou menos 1m de comprimento, que ficava na parte superior da calha, a 8 m de altura, e que caiu diretamente na minha cabeça!

Podem se espantar: o que senti de fato na minha cabeça foi como se uma almofada de algodão tivesse batido, o que não provocou nenhuma consequência...

E o que faltou considerar: tinha acabado de tirar o capacete, que poderia ‘atrapalhar’...

Nesse dia meu anjo trabalhou dobrado!

domingo, 23 de junho de 2013

Manifesto sobre as manifestações de 2013

Primeira parte...

O homem é um ser social

Tudo começa na própria perpetuação da espécie: não é auto-suficiente nem para reprodução, na medida em que até para isso depende de um parceiro...

Assim, para sobreviver, surge a primeira organização social, a casa, com sua primeira regra: uma vez estabelecido o casal, um traz para casa o alimento e outro cuida da casa (ou vice-versa)...

Organização e evolução

Como a caça é a mesma (precisa ser disputada) e os defeitos de caráter também tomam parte na evolução humana, então ocorrem desavenças pelo mesmo alimento e desavenças nas disputas pelos parceiros (preguiça, inveja, cobiça e outros “pecados” que fazem parte dos processos do aprendizado humano).

Assim, nada mais natural que surjam lideranças que se interessem pela organização disso tudo: se um grupo dedica uma parte do seu tempo para pesquisar melhorias nos processos de trazer o alimento, outro grupo pode cuidar de outros assuntos. Por exemplo: um grupo cuida da produção agrícola, outro da produção animal, outro observa e corrige os resultados disso tudo e assim por diante...

Crescimentos da população e da organização

A população cresce todo dia. A capacidade de organização também cresce. Mas a organização propriamente dita encontra mais dificuldades na sua evolução do que o crescimento populacional. Assim, o que mais se vê é o crescimento de populações desorganizadas, mas que, mesmo assim, não param de crescer...

O que temos visto na atualidade é um exagerado crescimento populacional em detrimento da capacidade de organização...

Lideranças

Os próprios processos de identificação de lideranças são difíceis e têm seus vícios. Mas quando são percebidas diferenças entre os objetivos dos líderes e dos seus liderados, então estas diferenças precisam ser corrigidas com urgência, porque o preço que o grupo paga por permitir a evolução de um modelo que não atende seus interesses é muito alto.

Um dos mais graves defeitos percebidos nos modelos de representação nas sociedades modernas é o de os líderes – geralmente escolhidos pelos elementos do grupo – acharem que os objetivos que devem atingir sejam seus objetivos pessoais e os de sua perpetuação no esquema de poder estabelecido.

Alienação

Quando ocorrem erros nos processos representativos, os liderados podem alienar-se e manter-se à margem dos acontecimentos. E os líderes passam então a cuidar ainda mais dos seus próprios interesses, alienando-se também dos seus liderados. Ficam assim duas castas: a dos não-representados e a dos não-representantes. Estes últimos, no intuito de manterem seus interesses, precisam recursos que vão colher entre os não representados.

Reações

Até que, cansados de sustentarem uma casta sem representatividade, que para cada serviço oferecido impõe pagamentos fora de qualquer medida através de tributos cada vez mais sofisticados, os não representados resolvem abandonar suas rotinas e demonstrar suas insatisfações com os modelos constituídos.

E a culpa é de quem?

De todos. Mas o que importa é a percepção do erro e a iniciativa para sua correção.

Precisa fazer tudo hoje?

Não é possível corrigir tudo de uma vez. Erros muito antigos não se corrigem de uma hora pra outra. Então o que se tem que fazer nessa situação é, detectado o erro, apurar as responsabilidades, corrigir o modelo e escolher melhor os representantes nas próximas oportunidades, se o modelo permitir.

Se o modelo não permitir mudanças, então é preciso mudar o modelo. Não importa se vai demorar 100 ou 200 anos pra acontecer: o que precisa é começar.

A palavra de ordem então é demonstrar a insatisfação, provocar a mudança e ficar atento nos resultados.

Segunda parte...

E aí, quem sabe nas próximas etapas, a humanidade seja assexuada e cada ser humano seja auto-suficiente... 

domingo, 25 de março de 2012

Lixo importado


Acabo de ver notícia que dá conta da entrada de lixo importado do Canadá pelo porto de Itajaí (SC). in http://www.receita.fazenda.gov.br/noticias/2012/mar/lixonao.htm

O conceito de aldeia global vale também para lixo. Mas lixo é problema de quem produz. Assim, nosso planeta tem que lidar com o lixo que produz. Enquanto não soubermos lidar com isso a nível global, agentes “espertos” vão criando jeitinhos de empurrar para outro lugar os resíduos que não têm interesse de tratar.

O Brasil tem sido escolhido por outros países como local de descarte de lixos de diversas origens. Talvez porque não nos preocupemos nem com o destino dado aos nossos próprios resíduos. Assim, “importamos” lixo hospitalar, resíduos de material radioativo, roupas utilizadas em hospitais para aproveitar o tecido, "polietileno" como o citado no link acima (eventos esses já descobertos e em investigação pela Receita Federal), sem citar os casos não descobertos pelo governo brasileiro.

Quando descobertas movimentações desse tipo, os governos devolvem para a origem os resíduos encontrados. Mas o problema é que continuamos sem a solução a nível global.

E já que ainda não temos as soluções, não seria a hora de suspender as atividades que produzem os tão indesejáveis resíduos?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

São Silvestre 2011


Relutei muito antes de me inscrever para a tradicional corrida anual de São Silvestre deste ano.

Ano passado nem corri, por muitos motivos; entre eles o alto preço da inscrição - que aumenta todo ano -, e a opção pelas aulas de música e piano, com prejuízo nos treinos para as corridas. Como rendi pouco no piano, concluí que errei quando eliminei da agenda os treinos para as corridas (corri menos, ganhei uma cinturinha extra e mesmo assim meu desempenho ao piano ainda ficou a desejar...). Sendo assim, para este ano, resolvi na última hora que ia correr, mesmo sem o treinamento adequado: foi estabelecido um limite de 25000 participantes e eu fui o 23927º.

A organização promoveu para 2011 algumas mudanças importantes na corrida, a começar pelo traçado e pelo local da chegada. O motivo alegado para as mudanças foi a confusão gerada pelo conflito entre os atletas que participam da corrida e as pessoas que chegam para a festa da virada do ano, que ocorre no mesmo local.

Considerando apenas o motivo que a organização alegou para promover as mudanças, eu penso que uma solução mais simples teria trazido melhores resultados do que os que foram obtidos: a chegada e a dispersão poderiam ocorrer na estação Paraíso do Metrô, bastando para isso ter virado à esquerda pela Av. Paulista, quando do cruzamento com a Av. Brigadeiro Luís Antônio.

Pessoalmente eu não gosto do local do Obelisco do Ibirapuera. É de uma grandeza assustadora, não facilitadora. Aquilo funciona bem para quem está motorizado, de passagem pelo local. Para pedestres, é a mesma coisa que caminhar pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília: tudo fica muito longe. Para quem já está cansado dos 15 km da São Silvestre ou dos 42 km da Maratona, definitivamente aquele local não serve.

Considerando a mudança do traçado, duas anotações importantes: a) algumas ruas selecionadas não comportam o volume de atletas participantes, o que dificulta a manutenção do ritmo pessoal: todos têm que correr no ritmo da massa e tropeçando, anulando seu próprio ritmo; b) o grande volume de participantes não facilitou a dispersão durante a corrida e nem no momento da chegada. Pra piorar bastante, choveu copiosamente durante a corrida.

Um detalhe de organização que acabou irritando alguns atletas foi a falta de camisetas quando se aproximava o fim da distribuição de kits. Eu mesmo acabei ficando com uma camiseta baby-look, que ficou para minha filha. Muitos inscritos ficaram sem camiseta.

Saiu o resultado: fiquei em 4506º, com tempo líquido de 01:22.  Já estive um pouco melhor...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Custos do Estado - uma série inacabável.


Tempos estranhos.

Nos últimos meses, a cidade de Campinas tem sofrido com um terremoto político que culminou com a cassação do prefeito eleito, Dr. Hélio. Ele dirigia a prefeitura em seu segundo mandato, reeleito com 70% dos votos.  Assim, passaram também pelo comando da prefeitura o atual presidente da Câmara, Sr. Pedro Serafim, e o vice-prefeito eleito, Sr. Demétrio Villagra. Este último se mantém no cargo atualmente por liminar judicial, enquanto aguarda resultado dos trabalhos de uma Comissão Processante, encarregada de embasar sua cassação. A votação final deve ocorrer na próxima terça feira (amanhã).

Três meses, quatro prefeitos, contando com as concessões e cassações de liminares judiciais. E, como foi dito, amanhã poderemos ter mais novidades: novo prefeito e decisão pela convocação de novas eleições (como se já não bastasse tanta confusão, ainda mais para um ano eleitoral...).

Curiosamente, os trabalhos da Comissão Processante, para apuração de irregularidades administrativas na gestão da prefeitura, têm pleno apoio da população, que se sentiu traída e enganada pelos mandatários que elegeu.

Como em todo embate democrático, há quem apóie e quem reprove esse movimento pelo impeachment do prefeito.

Mas um incidente veio a calhar no meio de toda essa turbulência. Uma sensação de sapo entalado na garganta, e que não quer descer de jeito nenhum: a Câmara Campineira decidiu por um aumento de 126% em seus próprios vencimentos! Não há democracia que resista a isso! Aliás, há: reprovações por unanimidade também compõem o processo democrático.

Não houve explicação e nem caberia nenhuma explicação aceitável, uma vez que as pessoas conhecem muito bem as dificuldades de fazer render seus parcos salários, cujos reajustes anuais mal cobrem a inflação do período...

Os vereadores não fazem mais que a obrigação ao fiscalizar atos do governo e encaminhar ao Ministério Público as eventuais suspeitas de irregularidades. E, com certeza, sabe-se também que não descumpriram a lei ao votar pelo aumento de 126% nos seus vencimentos mensais. O que chama a atenção nesse último caso é a moralidade da questão.

E, apesar de não termos recebido os mesmos 126% de aumento em nossos salários ou aposentadorias, vamos ter que pagar os 126% nos salários deles...

Outra vez: Só nos restam as urnas!

De novo o custo do Estado


Conforme prenunciavam as pesquisas, aproximadamente 66% dos eleitores do Estado do Pará rejeitaram, através de plebiscito, a divisão de seu estado. Para este evento, a população foi plenamente informada e teve oportunidade de ouvir os motivos de lideranças partidárias da divisão, bem como dos que preferiam a manutenção do estado como é atualmente. Venceram os últimos.

É de se desejar que este resultado não signifique que a maioria prefira conviver com as situações atuais do estado e dos municípios: o eleitor está mais maduro. Sabe que quanto maior o número de estados, maior também será o número de senadores, deputados, governadores e outras lideranças, cada um desses grupos com suas estruturas de funcionamento, suas opções de gestão, as chances de corrupção, etc. e ainda maiores serão os custos de manutenção dessa estrutura toda. E custos, todos sabem, voltam sempre na conta do eleitor.

É possível que, afinal, esse gigante adormecido já esteja acordando. Bem lentameeente, na verdade, mas já é alguma coisa.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Liberdade de Expressão e o Custo do Estado


Está em julgamento no STF uma ação de constitucionalidade, que trata da liberdade das emissoras de rádio e TV de organizarem suas programações seguindo critérios próprios, sem a interferência dos parâmetros da classificação indicativa, que hoje são imposições do estado.
A questão envolve diretamente a liberdade de expressão, garantida pela Constituição Federal e a principal alegação dos favoráveis à ação é que o cidadão não pode ser considerado pelo estado como se fosse incapaz de decidir sobre o que ele e sua família podem ou não podem ver.

Além do mais, para os profissionais de imprensa, a aprovação seria uma vitória, que traria na bagagem o encerramento de mais um aspecto da ‘censura’ oficial.
Independentemente de quais sejam hoje as atribuições do Estado, para cada uma delas há necessidade da criação e manutenção de uma estrutura, com todos os seus custos e defeitos.

Assim, se as atribuições do estado passassem por uma revisão, quem sabe ficassem somente as atividades que são de fato de sua competência; isso certamente provocaria um enxugamento tão significativo na máquina que poderíamos até exigir dos legisladores uma diminuição na nossa já tão pesada carga tributária...


Erros em Reforma e Construção

Tenho me dedicado à organização de reforma numa residência recém adquirida por um cliente. Achava que em minha casa já tivesse passado por experiências mais do que suficientes com construções, mas pra esse cliente resolvi abrir uma exceção.

A experiência adquirida aqui em casa tem sido de muita valia na reforma que acompanho. Vários problemas que enfrentei durante minha construção estão se repetindo por lá. Mas o que mais me surpreende é o conjunto inusitado de soluções que o construtor adotou para problemas comuns no dia-a-dia das obras civis: erros ou inversão no nível para o assentamento de pisos e revestimentos, problemas com esquadro de paredes, desalinhamento em caixas de passagens elétricas ou coletores de esgotos, erros em execução de escadas e suas consequências, erros no dimensionamento de fiação elétrica, para citar apenas alguns.

A correção dos erros leva a novos aprendizados e ao encontro de soluções e ajustes que talvez não fossem possíveis à época da construção original. Muito boa a experiência.

Então, para quem adquire uma residência nova ou usada – seja para uso próprio ou para investimento – vale a recomendação de verificar profundamente os detalhes técnicos da construção, a possibilidade de adaptação para o uso a que se propõe, além das consultorias habituais sobre documentação, registros e situação fiscal do imóvel, bem como dos vendedores.

domingo, 4 de setembro de 2011

Para inglês ver

Há pouco mais de um ano, escrevi aqui sobre uma ocorrência que registrei no sistema 156 da Prefeitura de Campinas. Tratava-se de acidentes envolvendo usuários do Centro de Referência em Recuperação, quando de sua chegada ou saída para os devidos tratamentos. (Ver post´s ‘Ocorrência’ de 02/06/2010 e ‘Praça sem Sentido’ de 18/06/2010)

Acompanhei o caso até que ele foi encaminhado ao departamento competente.

De vez em quando pego minha bicicleta e saio a passeio pela cidade, em “visitas de inspeção”.

Ontem visitei o referido Centro de Referência, no Distrito de Sousas, para verificar como teriam ficado os novos acessos, após as providências tomadas pela Prefeitura.

Fiquei muito triste quando observei que a situação viária no local, descrita quando do registro da ocorrência, em nada se alterou: não foi acatada a sugestão proposta e nem foi implantada outra solução, que àquela época já estaria em andamento, segundo a Prefeitura.

Apesar disso, nesse mesmo intervalo de tempo, verifiquei que a cidade de Campinas se destacou no país como cidade que promove a acessibilidade em sua política de gestão, tendo sido certificada como “Cidade Acessível” pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos...

P.S. Já ia me esquecendo. Conforme pude constatar, os cachorros também continuam tendo pleno acesso às dependências do CRR. Uma faixa – esta contemporânea da época do registro da ocorrência – anuncia:

. “Adestramento para Cachorros – mensalidade: uma cesta básica”.

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Aprendendo piano


Depois da aposentadoria, resolvi estudar piano.

E é claro que a bagagem de uma vida inteira vai junto pra escola e interfere no aprendizado.

Qual é o melhor método? Qual o mais eficiente? O que produz melhores resultados? Por que não fazer desse ou daquele jeito?

Nesta fase da vida uma pessoa almeja posições de comando. O senso crítico é bastante elevado. No meu caso, nunca fui muito bom na execução de tarefas. No planejamento e administração me saía melhor.

Lembro-me que na aula de apresentação do curso de Pós Graduação o professor enfatizou:

- “Sei que vocês são todos experientes, responsáveis. Mas nós somos os professores. E vocês são os alunos. E aluno é aluno. Em qualquer lugar e em qualquer idade, se o aluno achar um jeito de enrolar o professor, então ele vai tentar enrolar. E eu aviso pra vocês: Não tentem nos enrolar.

Meu professor de piano é muito experiente. E exigente. Dirige uma das melhores escolas de música da cidade. Teve e tem alunos em todas as faixas de idade.

Mas ele é o professor. E eu sou seu aluno.

Temos lá nossos embates. Às vezes ele promove ’ajustes’ na condução do serviço dele. Mas eu sou seu aluno...

Minha ‘produção’ às vezes deixa a desejar. Ele tenta me enquadrar. Afinal ele é o professor. (E eu sou seu aluno...)

Admiro meu professor.

Às vezes penso em desistir. Mas como posso desistir de uma coisa que eu gosto e tive que adiar a vida toda, pra quando afinal tivesse tempo?

Acho que ainda vou ter que ‘enrolar’ bastante esse professor...

Apagando fogo


Viver apagando fogo ou cuidar da prevenção.

Dois modos de conduzir um assunto qualquer, seja na família, na escola, na empresa, num país ou no mundo!

Qual a melhor estratégia?

O ditado diz que 'É melhor prevenir do que remediar'.

Mas se isto fosse levado ao pé da letra, não precisaríamos de bombeiros. Ou de advogados. Ou de Conselhos Fiscais.

Certa feita, discutíamos estratégias e táticas a serem aplicadas em determinadas circunstâncias, e, em dado momento, o velho ‘bom senso’ foi convocado para prevalecer: "dependendo dos custos, dos resultados obtidos, das interferências legais, da determinação dos envolvidos em produzir sempre melhores resultados, etc. etc. etc."

Ou seja, em alguns casos poderia compensar a incidência de algum risco. E, se não fosse assim, também não precisaríamos das Companhias Seguradoras, certo?

É claro que este texto não é uma apologia à extinção dos bombeiros, nem das empresas seguradoras e muito menos dos responsáveis por serviços de controles ou de auditorias.

Um analista recebe uma demanda com prazo de 30 dias para a implantação de um projeto. Uma análise prévia do ambiente avalia que serão necessários 90 dias.

Nos meios empresariais isso ocorre diuturnamente e os administradores mais competentes decidirão pela implantação do projeto no prazo de 30 dias ou até antes, ainda que sobrem alguns ajustes pra fazer.

Esperar 90 dias pode determinar o fim do negócio, mesmo porque problemas ou mudanças nos ambientes podem ocorrer a qualquer tempo.

O sonho de todo analista é implantar um projeto sem erros. Um projeto ideal.

Mas a experiência diz que mesmo projetos perfeitos passam por ajustes a todo momento.

Por isso mesmo, penso que prevenir é bom mas que remediar é necessário.

domingo, 31 de julho de 2011

Que lembranças?

Algumas pessoas – seriam todas? – têm dificuldades para lembrar ou guardar dados em sua própria memória.

Eu me lembro – ainda! – que, numa das várias mudanças que tivemos numa empresa em que trabalhei, uma orientadora passou a “dica” de que, para aquele novo trabalho, “era fundamental não guardar nada de cabeça”.

E também que não utilizássemos nada daquilo que lá chamávamos de “burrinho” (conjunto de anotações consideradas importantes sobre determinados serviços).

A explicação que ela apresentou para essa orientação foi que as instruções de trabalho são dinâmicas, mudam toda hora e que dependem muito dos ambientes legais e conjunturais em que estão inseridas e submetidas.

Então, não seria errado concluir que dois projetos idênticos poderiam ter tratamentos diferenciados, dependendo da época de suas aprovações.

Tinha lógica.

Naqueles dias eu encontrava muitas dificuldades para absorver e guardar todo o volume de informações referentes às novas rotinas que tinha que aprender. Por isso, aprendi rápido onde encontrar as informações que precisava.

Por vezes sabia o livro, capítulo, título, etc., mas os consultava a cada ocorrência, para garantir a temporalidade da instrução.

Essa prática foi muito útil, pois garantiu a aplicação das rotinas corretas nos trabalhos executados e a segurança dos envolvidos.

Em julho de 2011, a revista Science divulgou pesquisa de Betsy Sparrow, et al, sobre “Os efeitos do Google na memória: consequências cognitivas de ter a informação ao alcance dos dedos.” Vale consultar.

Então, para analisar, ficam algumas questões:

Será que estamos condenados a abolir o uso das técnicas do palácio da memória e a dependermos somente de informações guardadas externamente ao nosso cérebro?

Por que caminhos anda a nossa capacidade analítica, se temos que consultar e inter-relacionar dados armazenados fora da nossa própria memória?

sábado, 2 de julho de 2011

Uniões homo afetivas

Tenho muitos amigos gays. Assumidos ou não. Enrustidos, entendidos, dissimulados, engavetados ou escondidos dentro dos seus armários, e também muitos casais héteros com relacionamentos homo-clandestinos, extra-oficiais, seja entre eles, seja entre elas.

Acompanho com certa curiosidade a evolução dos acontecimentos que culminaram com a oficialização(?) das uniões gays aqui no Brasil.

Mas tudo ainda está só no começo. Ainda mais considerando que por aqui o que se deve procurar é o consenso a nível nacional. E o país tem grande dificuldade de digerir decisões do nosso Supremo Tribunal Federal, onde parece que nem todos os pensamentos estão representados. E as decisões que dali emanam devem representar o que nossos legisladores conseguiram registrar do comportamento do nosso povo, e também tem que servir de modelo para as decisões das primeiras instâncias.

No caso da união civil homossexual, a matéria – controversa que é – gerou todo tipo de polêmica, e a decisão final foi pela legalização dessas uniões.

Era o que bastava. Iniciou-se assim uma rotina de comemorações, de casa e descasa, cujos procedimentos ainda tem que ser definidos ou padronizadas de alguma maneira. Uniões registradas aqui, canceladas ali, entendimentos diferentes em relação ao do STF, coisa que o pensamento regionalizado e as diferenças morais não conseguiram registrar no âmago dos nossos magistrados, ou mesmo que foi vencida em processo decisório democrático.

Parece que isso ainda promete muitas discussões até que tudo entre nos eixos, até que todos os entendimentos “estejam em uníssono” (emprestando aqui o significado de igualdade de sons da teoria musical); e ainda pode rolar muita água por baixo dessa ponte.

Nos Estados Unidos, decisões sobre uniões homo afetivas ocorrem a nível estadual: alguns estados já aceitam, ainda que com algumas diferenças, e há outros que não aceitam de jeito nenhum...

Aqui no Brasil, vi que a Receita Federal foi uma das primeiras instituições a aceitar essa situação (seria com intenções indiretas de ‘aumentar a receita’?). Depois, alguns convênios médicos resolveram também acolher como dependentes os envolvidos nesses relacionamentos, alguns acompanhando a decisão da Receita, outros como decisão nova mesmo, talvez já antecipando os resultados dos acontecimentos.

Além das elocubrações culturais, filosóficas, morais e religiosas que o assunto proporciona, há também algumas de cunho fisiológico. Como já citei neste blog, numa certa ficção científica há uma personagem auto-suficiente do ponto de vista de reprodução da sua espécie. (Procure saber sobre o filme “Inimigo Meu”, já citado neste blog, no post sob o título “Dominar o Mundo”).

E já que a nossa humanidade (ainda) depende de dois sexos diferentes para a reprodução e preservação da espécie, independentemente de todas as outras questões morais e religiosas já citadas, e muito embora pessoalmente eu não tenha nada contra a união civil homossexual, há de se pensar então que estaríamos no fim da nossa jornada? Estaríamos no começo do nosso fim? Porque, até onde me lembro, ainda não vi registros de descendentes biológicos diretos advindos de uniões homossexuais.

Seria esse um pensamento homofóbico? Eu acho que não.

Pode ser que minha percepção ainda esteja míope, não esteja vendo tudo o que importa. Mas o que percebi até agora é que nossos magistrados – e nossa sociedade, por assim dizer – querem tornar válidos, para todas as uniões homoafetivas, direitos civis que antes valiam somente para casais de sexos diferentes.

Por exemplo: registro como dependentes econômicos, direitos de herança e sucessões em geral, aposentadorias e pensões, direito ao respeito e tolerância na convivência com tantas diferenças, e é claro, tudo com os respectivos deveres daí decorrentes.

Para que a sociedade como um todo aceite e processe todas essas modificações comportamentais, ainda vai demorar muito tempo, principalmente entre os segmentos mais reacionários, os mais conservadores e as instituições religiosas em geral...

Mas uma coisa é certa: enquanto não tivermos entre nós o nosso ‘Jeriba Jerry Shigan’, ainda vamos discutir muito esse assunto.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Trinta linhas sobre o mar...

Dia de sabatina, de português.

A prova incluía uma redação, cujo tema conheceríamos somente na hora.
Então o professor falou:

-O tema da redação é: “O mar”. Só isso.

Em minha curta experiência com viagens e passeios, não me lembro de ter conhecido ou pelo menos de ter visto o mar, antes daqueles tempos. E não é que o professor escolheu justo este assunto?

O que é que eu poderia dizer sobre o mar naquela época, se até mesmo hoje só conheço muito aquém do que deveria?

Trinta linhas sobre o mar. A maioria da turma ficou na primeira linha mesmo. E eu também. Não tínhamos nada a dizer... Nota zero de redação.

Depois, comentando com o Fernando, já veterano e dos “maiores”, ele falou:

- O mar? Fácil! Teria sido bem pior se ele pedisse “A gota d’água”, não é mesmo? Já pensou: – A gota d’água tem bactérias... A gota é muito pequena e tem forma de pera...

Será que hoje me sairia melhor? Depois eu vou testar isso.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Campinas e as oposições

Hoje está sendo votado – decisão sai daqui a alguns minutos – o afastamento temporário do prefeito da cidade de Campinas – Dr. Hélio de Oliveira Santos, por indícios de corrupção em gestão de sua responsabilidade.

Dr. Hélio, do PDT, cumpre seu segundo mandato, tendo sido reeleito com 70% de votos em primeiro turno. Os motivos de tamanha votação podem ter sido vários, inclusive a falta de outros candidatos que representassem melhor os anseios da população.

Pedidos de afastamento como o que está sendo discutido hoje precisam ter base legal para efeito do “Em cumprimento à lei municipal número tal, de tal data...”.

O que ocorre é que muitos municípios têm legislação específica para afastamentos dessa espécie – para facilitar as investigações em casos de suspeita de improbidade administrativa, prevaricação ou outros crimes dessa ordem, cometidos por executivo público – no caso o prefeito municipal.

Mas em Campinas não há essa lei. O que não significa que o munícipe tenha que concordar com todos os atos do seu representante. E é claro que também não impede o legislativo de colocar em pauta projeto de lei que inclua o afastamento temporário para os casos de suspeita de desordens na gestão pública que justifiquem o pedido; para o primeiro caso, o povo cerceia os malfeitores nas urnas, na próxima eleição; já para o segundo, a casa legislativa – no caso a Câmara Municipal – vota projeto de lei, que, sendo aprovado e não sendo vetado pelo executivo, também passa a valer, mas só para os próximos mandatários...

E acaba de sair decisão do plenário da Câmara: 16 votos pelo afastamento temporário, 15 contra. Numa casa de 33 vereadores, seriam necessários pelo menos 22 votos pelo afastamento. E 2 vereadores não estavam presentes.

Duas curiosidades: antes do início da sessão que decidiu pela manutenção do prefeito no seu cargo, informações divulgadas pela imprensa davam conta de que haveria unanimidade no posicionamento dos vereadores pelo afastamento do prefeito. Na hora do voto, não foi bem assim... A outra curiosidade é que nos últimos meses temos observado certa incompetência jurídica na administração tanto do executivo quanto do legislativo campineiros.

Por exemplo, inúmeros projetos de edificação urbana foram aprovados (alguns tiveram as obras suspensas, outros não) com base em legislação atual do município, mas que foi considerada inconstitucional à luz da hierarquia das leis. São erros que geram custos altíssimos, que – no fim – alguém tem que pagar.

Para o prefeito, fica aí uma vitória com sabor de derrota – ainda mais se forem comprovadas suspeitas de irregularidades na sua gestão. Politicamente, o que aconteceu foi um terremoto que chacoalhou a cidade, e cujos caquinhos terão que ser juntados novamente pelo prefeito e sua base (se é que sobrou alguma base...)

E esse movimento todo foi o melhor que a oposição conseguiu até o momento. O que apareceu não foi novidade: falta de articulação, falta de compromisso, falta de representatividade.

Ainda bem que na democracia tem as urnas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Campinas - Articulação e Oposição

Todo dia temos alguma surpresa na administração pública: são políticos sendo acusados de abocanhar parte dos salários da suas equipes; outros de corrupção ativa ou passiva; são secretários de governo que coordenam contratos públicos visando interesses não muito públicos; são projetos sendo aprovados sem atender exigências legais e depois sem ter nenhum acompanhamento; são propinagens para isso e mais aquilo; é a realização de licitações marcadas; é a promulgação de leis com vícios de hierarquia; são obras autorizadas com contrapartidas não executadas e tantas outras coisas mais que poderia passar um tempão relatando aqui...

Segundo consta, isso acontece há tempos e não só na nossa cidade: vai também Brasil afora.

Ao que parece, Campinas vem seguindo um modelo de gestão que muitos executivos públicos adotam em todos os escalões, tanto politicamente quanto administrativamente. Coisas que vão muito além do toma-lá-dá-cá partidário.

E, seguindo também modelos de outros escalões, políticos de oposição não estariam exercendo oposição nenhuma, facilitando a vida da situação e permitindo a incidência de irregularidades, sem que ocorra nenhuma fiscalização. Punição aos responsáveis, então, nem pensar.

Só depois que o Ministério Público tomou a iniciativa – semana passada - de levar à frente investigações de irregularidades na administração da cidade, daí sim a tímida oposição saiu protocolando aqui e ali um pedido de investigação e até de impeachment, ainda demonstrando surpresa e completa desarticulação. Talvez pensando em convencer seus eleitores baseando-se na velha máxima do “antes tarde do que nunca...”, para salvar seus bonés...

Quando situação e oposição exercem de fato suas atribuições, representando seus eleitores e não os seus próprios interesses, então as chances de ocorrer um governo política e administrativamente melhor se ampliam muito mais, fortalecendo a democracia.

Tomara que – em se comprovando alguma irregularidade – os responsáveis sejam punidos exemplarmente, nas formas da lei e das urnas.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Prof Kulay e o Mundo da Lua

Nos idos de 1970, meu amigo Paçoca cometeu um pequeno erro no cálculo da abertura de um ângulo. Claro que o erro foi notado pelo Prof. Kulay, que não teve dúvida: descontou na nota e ainda explicou:

- Meu filho, aqui embaixo, a diferença realmente é pequena, mas se você projetar isso para o infinito, não vai ter como medir essa diferença...

Pela mesma época, numa das oficinas que tinha no porão do colégio, eu projetei um foguete interplanetário movido a pressão atmosférica! E é claro que fui submeter o grande projeto à apreciação do Prof. Kulay:

- Será que vai funcionar? – perguntei.

- A pressão atmosférica é muito pequena até para o foguete sair do chão - disse ele com voz grave e sua piteira fumarenta - e, depois, como é que ele vai se mover quando sair da atmosfera?

É claro que os meus projetos de ir pra lua ficaram por ali mesmo...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cheques? Pra quê?

Hoje o Banco Central está divulgando novos regulamentos para cheques.

Estão tentando ressuscitar o morto! Ou então dar uma sobrevida para praquele instrumento – o cheque - que já está com os dois pés na cova!

Alguém se lembra da cara do tal de cheque?

Vejam para que serve o cheque, segundo os costumes atuais:

.Para conseguir empréstimos a módicos 12% am, mediante a troca de um montão de cheques-pré-datados por um pouquinho de dinheiro...

.Para pagamentos parcelados de produtos e serviços...

.Para cobrança de taxas pelos bancos para emissão dos talonários, para liquidação dos cheques, pela devolução, pela custódia dos pré-datados, para antecipação de recebíveis por instituição de crédito... (mediante taxas de serviços mais uns jurinhos, certo?)

Alguém viu aqui em cima “serve TAMBÉM para pagamento à vista”??

Eu me lembro da definição de cheque: É uma ordem de pagamento À VISTA.

Ou seja: pela lei, não existem cheques-pré-datados, cheques–garantia, cheques-caução...

Nos tempos do cheque, quem passava um tinha que ter fundos SIM! Hoje parece que não precisa mais!

Para crédito e geração de recursos existem outros instrumentos, como notas promissórias, duplicatas, etc.

Para pagamentos à vista, o melhor é promover o aperfeiçoamento dos meios eletrônicos, se for preciso mudando até as leis.

Epa, as leis! É claro que devem ser respeitadas, pois nada mais refletem que a vontade e os costumes de um povo.

Se eu fosse banqueiro gostaria que o cheque continuasse...

domingo, 17 de abril de 2011

Se arrependimento matasse...

Naqueles dias eu acompanhava um parente que passava por um período de recuperação pós-operatória. Foi quando encontrei Dona Giselda, uma senhora idosa que esbanjava alegria. Se ela não tivesse falado, eu nem teria notado que era amputada de um dos pés.

O curioso do registro é que ela mantinha certa mágoa com um filho. Afinal, “- Foi ele que autorizou” a equipe médica a promover a cirurgia reparadora que resultou na remoção da região atingida por uma trombose de recuperação impossível. Para ela, o filho é que era o culpado por ela estar hoje sem um dos pés...

Com jeitinho, expliquei a ela que a decisão que o filho tomara foi dolorida demais para ele. Com certeza, se ele tivesse outra opção, não teria autorizado a cirurgia. Ainda mais por ser o tipo de decisão que envolve diretamente a vida de outra pessoa.

Curiosamente, ela continuava fumando, mesmo após a amputação...

Numa outra ocasião eu discutia com o mesmo parente acima citado a respeito de nossas decisões no dia-a-dia. Por exemplo: se eu posso escolher entre ajudar alguém ou não ajudar, por quê não ajudar? Se posso escolher entre abandonar um mau hábito ou continuar com ele, por quê então continuar com ele?

Quando avaliamos a amplitude de cada decisão que tomamos, então fica mais fácil decidir. Se cada vez que escolhemos fumar um cigarro, beber uma cachaça ou ajudar um necessitado olhássemos lá na frente para ver as consequências resultantes desses atos, será então que manteríamos as mesmas escolhas?

Depoimento do meu parente:

“- Se arrependimento matasse...”